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Cobrança

Sorocaba terá pedágios entre bairros

Serão três pórticos na rodovia Raposo Tavares, um na Castelinho e outro na Celso Charuri, dentro do município

31 de Março de 2025 às 22:44
Motoristas vão pagar para se deslocar por regiões da cidade na Raposo Tavares (SP-270). Locais de pedágios estão marcados por
Motoristas vão pagar para se deslocar por regiões da cidade na Raposo Tavares (SP-270). Locais de pedágios estão marcados por "X" no mapa (Crédito: ARTE: ANDERSON MAGNO)

A notícia dos novos pedágios no município de Sorocaba, conforme divulgado na coletiva de lançamento da concessionária CCR Sorocabana no sábado (29), tomou as redes sociais e serviu de assunto nas conversas dos moradores da cidade. A CCR tem até 24 meses para a instalação. Informações confirmadas pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e a concessionária já permitem projeções. Há previsão de pórticos de pedágios no sistema free flow na Raposo Tavares (SP-270), na altura dos kms 86 (bairro Inhayba), 95,1 (região da avenida Nogueira Padilha) e 101,3 (região da rua João Wagner Wey); na José Ermírio de Moraes, a Castelinho (SP-75), na altura do km 3,2; e na rodovia Celso Charuri (SPA-91/270), no km 4,1, na região do bairro Aparecidinha.

A instalação desses pórticos impactará diretamente em quem usa as rodovias para se locomover pela cidade de Sorocaba, em especial a rodovia Raposo Tavares. Motoristas, moradores e profissionais de transporte e indústrias estão alarmados com a situação. “Sou totalmente contra a implantação de novos pedágios em nossa região, o que pagamos hoje já é bem alto. Entendo que o pagamento de pedágios é a demonstração da incompetência do governo em administrar suas estradas, mesmo com a imposição de impostos como IPVA”, opina o engenheiro Adriano Arcanjo Ferreira. Ele mora no bairro Wanel Ville, zona oeste de Sorocaba, e trabalha em uma empresa perto da Castelinho.

O representante comercial José Benjamim Pesce sai de sua casa no Parque Campolim, zona sul, e viaja para diversos comércios em Campinas e São Paulo. Ele acredita que o trânsito sorocabano vai piorar muito com as medidas. “Eu dependo muito das rodovias para trabalhar, com certeza vai impactar muito meu trabalho. O da minha esposa também, ela é professora e vai ter que cortar por dentro da cidade para chegar a sua escola. Tudo isso tende a piorar ainda mais o trânsito, já que terá um aumento (do trânsito) nas ruas e vai atrapalhar todo mundo”, analisa. “As melhorias a serem implantadas nas rodovias deveriam ser custeadas por nossos impostos já pagos, mas acabam sendo ‘rateadas’ com a população que utiliza as estradas, com a inclusão de novos pedágios. O pedágio da Castelinho, com pouco mais de 10 km, tem um valor abusivo, próximo a R$ 10, e agora teremos também na Celso Charuri”, diz Arcanjo.

Para José Carlos Castanho Júnior, que trabalha na área logística de transportadoras, os aumentos de valores poderão ser repassados aos consumidores. “Todo esse custo (combustível, pedágio e ICMS) é incluído no produto final. O aumento de pedágios também acontece como forma de cobrar imposto do povo. Tudo que envolveu movimentação de produtos já tinha aumentado antes”, explica. Um abaixo-assinado no site Change e outro no Google Forms — plataformas digitais que servem para junção de informações e petições — já estão circulando por grupos de redes sociais e tentarão impedir as instalações futuras desses pórticos.

Produção industrial

O setor industrial está em alerta. “Estamos acompanhando de perto e vamos defender as indústrias caso a somatória geral dos valores não fique em equilíbrio”, explica Erly Domingues de Syllos, diretor da regional do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp). “Vamos esperar os valores serem colocados nos novos pedágios. Nossa expectativa é que a diluição nos pedágios antigos encontre um nivelamento justo nos novos.”

Um aumento da quantidade de cobranças é sempre indesejável, segundo o diretor do Ciesp. “Estamos observando de perto. Esses custos afetam a competitividade e a logística de toda a cadeia”, afirma. “Tem que repassar (os valores), não tem jeito. E não é diferente com os pedágios”, avalia.

“Em relação à implantação de novo sistema de pedágios em nossa região, a expectativa inicial é de que possa haver cobrança justa e equilibrada, com uma maior quantidade de pontos de cobrança com preços, pelo efetivo uso do trecho. Porém a melhoria viária e investimentos em novos trechos, certamente incidirá novos custos em áreas antes não incidentes. Isso pode aumentar custos logísticos e operacionais, que precisarão ser repassados para os preços de produtos agrícolas e industriais produzidos em nossa região. Importante, portanto, que os estudos e decisões tarifárias sejam decididas de forma equilibrada e ponderada”, diz economista Marcos Canhada.

Prefeitura e Câmara

A Secretaria de Mobilidade (Semob) de Sorocaba informa que a Artesp está responsável pelo gerenciamento da implantação dos novos pedágios e que a administração municipal aguarda “detalhamento do projeto para definir estratégias de atuação em âmbito municipal ao longo deste ano, de forma a assegurar uma mobilidade urbana de forma mais ágil e segura”. A Câmara de Sorocaba deve abordar o assunto na sessão ordinária de hoje e promete realizar uma audiência pública. Hoje o assunto começa a ser abordado também na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com o deputado estadual Vitão do Cachorrão (Republicanos), ex-vereador de Sorocaba. Ele pretende agendar uma audiência pública.

Serão ao todo 16 novos pórticos em Sorocaba e região. Vinicius Antonioli, gerente executivo de operações da CCR Sorocabana, explicou, no sábado, como vão funcionar as cobranças — no caso do deslocamentos pela Raposo no trecho que passa por dentro da cidade. Quem usar a rodovia no entroncamento principal por todo o trecho urbano irá pagar o pedágio normalmente, e quem usar as marginais também vai pagar. A cobrança será no sistema free flow, modalidade eletrônica de pedágio que permite que o motorista não precise parar para pagar, parecido com o que o tag faz, mas aperfeiçoado com um sistema da concessionária que usa câmeras e sensores em pórticos para identificar o veículo.

O pagamento deverá ser feito pelo aplicativo ou site da concessionária.