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Motoboys

Entregadores de aplicativos protestam em Sorocaba

Manifestação faz parte da paralisação que ocorre hoje e amanhã em todo o Brasil

31 de Março de 2025 às 09:15
Paralisação deve continuar nesta terça-feira (1º)
Paralisação deve continuar nesta terça-feira (1º) (Crédito: Alisson Zanella)

Entregadores de aplicativos do Brasil fazem nesta segunda-feira (31) uma paralisação chamada "Breque dos Apps". Em Sorocaba, os motoboys se concentraram às 7h30 no estacionamento de um restaurante fast food, localizado na avenida Afonso Vergueiro, e saíram em uma motociata pelas principais ruas e avenidas da cidade.

Uma segunda concentração foi realizada no Parque Carlos Alberto de Souza, no Campolim. Em seguida, o grupo foi até estabelecimentos comerciais na tentativa de barrar as entregas. Os trabalhadores pedem aumento de remuneração e melhores condições de trabalho.

Policiais militares e agentes de trânsito acompanharam a manifestação. A Associação dos Motoboys de Sorocaba participa dos protestos.

O “Breque dos Apps” é um movimento de entregadores de aplicativos que ocorre hoje (31) e amanhã (1º) em cidades de todo o Brasil. Segundo o movimento, o objetivo é pressionar as plataformas de entrega para fornecer melhores condições de trabalho. Os motoboys pedem reajuste da taxa mínima de R$ 6,50 para R$ 10,00 por entrega; aumento no pagamento por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50; limitação por rotas de bicicleta: máximo de três quilômetros por pedido e pagamento de taxa integral por entrega, sem cortes quando há vários pedidos no mesmo trajeto.

De acordo com Leonardo Marques Bisso, entregador e representante do grupo “Família Motoboys Sorocaba”, o último reajuste para a categoria ocorreu há mais de 2 anos. “Não estamos conseguindo acompanhar a inflação. Está tudo aumentando, manutenção, gasolina, e a nossa taxa não está subindo. Para nós, o mais importante, é ver os motoboys unidos, querendo algo, querendo mudança”.

William Ferreira, 31 anos, trabalha com entregas de aplicativos de delivery há 4 anos. Para ele, que é casado e tem dois filhos, a remuneração é injusta, pois, segundo o entregador, a maior parte do dinheiro é destinada às empresas dos aplicativos. “Na pandemia, muitos nos julgaram como heróis, porque só a gente podia sair na rua, mas hoje estamos esquecidos. Quando está chovendo, você quer aquele lanche na sua casa, aquela comida, e os motoboys vão até você para levar conforto ao seu lar. Temos que ser valorizados”.

Já Tamiris Pinto, de 32 anos, fazia entregas, mas hoje, optou por trabalhar apenas com o transporte de passageiros com a motocicleta. Para conseguir uma renda, é necessário trabalhar cerca de 12 horas por dia. “A plataforma está pagando muito pouco. Estamos na rua correndo risco constantemente e estamos recebendo o mínimo. É muito humilhante as condições que eles colocam pra gente”.

Mais qualidade de vida

Motoboys pedem melhores condições de trabalho - Alisson Zanella
Motoboys pedem melhores condições de trabalho (crédito: Alisson Zanella)

Segundo os motoboys, a baixa remuneração gera outros problemas que impactam diretamente na qualidade de vida de cada um dos entregadores. De acordo com o grupo, eles não trabalham menos que 12 horas por dia, correm risco de acidentes, precisam fazer as entregas de maneira rápida e não conseguem ter tempo com a família.

“O dia com a família praticamente não existe mais. Saímos cedo de casa e quando voltamos a nossa família já está dormindo. É por isso que queremos o reajuste, para ter uma vida social melhor e mais saudável”, destacou Leonardo.

“Todo mundo é pai de família, todo mundo tem o sustento, hoje ninguém está aqui porque quer, precisamos desse aumento. Tudo encareceu e esse é o único meio que encontramos para pedir o aumento”, enfatizou Alexander Antunes Rodrigues, presidente da Associação dos Motoboys de Sorocaba.

O que diz a Amobitec

O Cruzeiro do Sul entrou em contato com a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) que representa as empresas de delivery. A associação declarou que respeita o direito de manifestação e informa que suas empresas associadas mantêm canais de diálogo contínuo com os entregadores

"Sobre a remuneração dos profissionais, de acordo com o último levantamento do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a renda média de um entregador do setor cresceu 5% acima da inflação entre 2023 e 2024, chegando a R$ 31,33 por hora trabalhada", destacou a Amobitec. 

"As empresas associadas da Amobitec apoiam a regulação do trabalho intermediado por plataformas digitais, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e segurança jurídica das atividades. Além disso, atuam dentro de modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos entregadores, que geram renda com os aplicativos, e a situação econômica dos usuários, que buscam formas acessíveis para utilizar serviços de deliver", finalizou a nota.  

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