Cuidados
Diagnóstico precoce ajuda crianças que têm TEA

O Dia Mundial da Conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA), 2 de abril, foi celebrado nesta semana e serve para levar informação, combater o preconceito e preparar cada vez mais ambientes em que portadores do transtorno possam ser bem recebidos.
Os primeiros sinais do TEA geralmente aparecem na infância. O diagnóstico é fechado por meio de exame clínico; não existe exame laboratorial ou de imagem que comprovem o transtorno, como explica a neuropsicopedagoga Nayrlane Dutra.
Os pais precisam estar atentos, juntamente com os professores, para que possam detectar sinais nas crianças. Quanto antes o diagnóstico for fechado, melhor para elas e para a família. “A intervenção precoce estimula o desenvolvimento das habilidades sociais, de comunicação e diminuição de comportamentos desafiadores. Quanto mais cedo, maior a capacidade de aprendizagem do indivíduo e, portanto, um melhor prognóstico do caso”, explica a psicóloga e docente do Centro Universitário Facens, Beatriz Silvério da Rocha Paiva.
A psicóloga Alessandra Gameiro, que atua na Associação de Socorro Imediato a Pessoas com Câncer e Autismo (Asipeca), também explica que quanto máis ágil o diagnóstico, melhor, devido à capacidade de aprendizado. “A plasticidade mental vai até os sete anos, a facilidade maior é enquanto pequeno. Eles conseguem ter o maior número de aprendizados para conseguir avançar no desenvolvimento”, observa.
O tratamento do autismo é feito por meio de equipes multidisciplinares. “Nosso trabalho (neuropsicopedagogia) se soma ao da fonoaudiologia, que foca na fala e comunicação; à psicologia, que trabalha as emoções e o comportamento; e à terapia ocupacional, voltada ao desenvolvimento das atividades diárias e coordenação motora”, explica Nayrlane.
A psicóloga comportamental Elisabet de Camargo, que também atua na Asipeca e é mãe de Eduardo de Camargo Vilas Boas, de 14 anos, com autismo, conta que apesar de ter contato e saber as características do TEA, pensou que o caso do filho fosse preocupação em excesso. O diagnóstico foi fechado quando Eduardo tinha cinco anos, então Elisabet levou o filho para as terapias e deu início ao tratamento.
“Meu filho tem sensibilidade auditiva, então coloquei ele para tocar bateria. Ele tem sensibilidade sensorial, coloquei ele para fazer natação. Tudo eu fui colocando para estimular. Hoje em dia ele é superfuncional, na escola comentam que não parece que ele tem autismo, como se autismo tivesse ‘cara’”, conta Elisabet.
Ter uma data voltada à conscientização é de extrema importância. Muitas famílias ainda precisam lutar para que suas crianças tenham direitos básicos, como auxiliares nas salas de aula. “Na escola, incluir não é deixar a criança lá. Incluir é trazer essa criança para se aproximar também. Algumas crianças têm dificuldade, mas isso é treino”, explica Elisabet.
Os portadores do TEA compartilham com os profissionais suas dificuldades no dia a dia, diz a psicóloga Beatriz. “Os maiores desafios são as dificuldades no acesso ao tratamento de qualidade, falta de preparo da sociedade e os estereótipos enfrentados nos diversos contextos da vida”, explica.
Adultos também podem ser diagnosticados com autismo. Independente do momento, as terapias e tratamentos podem ajudar.