Reflexo
Alta do dólar afeta o preço do bacalhau
Peixe, que já não é dos mais baratos, é diretamente impactado com a variação da moeda americana

A etiqueta dos preços dos ovos de chocolate não é a única que chama atenção nesta Páscoa. A poucos dias para a celebração da Semana Santa, os olhos dos consumidores se voltam para outro alimento tradicional da data: o bacalhau. O peixe, que já não é dos mais baratos, sofre com a crescente do dólar e apresenta alta no valor.
Prova disso é que, no Mercado Municipal, localizado na região central de Sorocaba, é possível encontrar variedade de espécies e cortes do peixe. Neste cenário, o preço também alterna conforme as opções. O quilo do bacalhau zarbo é encontrado por R$ 80 a R$ 82, enquanto o do porto, cortado em filé, está R$ 210.
“Como o bacalhau é uma carne importada, o preço sofre com o impacto do dólar. Em comparação ao ano passado, que o quilo do zarbo era encontrado por R$ 60 a R$ 70, o preço aumentou”, aponta o comerciante Sérgio Ikejiri, 61 anos. “No entanto, mesmo com a alta, as pessoas continuam comprando por ser uma tradição.”
Um exemplo é a comerciante Raquel Santana, 40, que costuma passar a Páscoa com a família. A bacalhoada é um prato típico no almoço. Embora o valor esteja maior, a tradição vai ser mantida neste ano. “Para falar a verdade, como eu moro em São Paulo, o preço do bacalhau em Sorocaba não me assusta tanto. Inclusive, acho mais barato. Contudo, se comparar com o ano passado, subiu bastante”, aponta. “E não só o peixe, mas também o ovo, azeite e pimentão, que são os ingredientes que também acompanham a bacalhoada.”
Na capital paulista, o preço médio do quilo do bacalhau do porto é de R$ 279. Já o zarbo, considerada uma opção mais acessível, está na faixa dos R$ 90. “Por ser uma tradição, nós mantemos a bacalhoada mesmo com o valor alto nas etiquetas”, conta Raquel.
Opções acessíveis
Para as famílias que gostam de manter o peixe no cardápio de Páscoa, o filé de merluza é uma opção mais acessível, segundo Sérgio Ikejiri. De acordo com o comerciante, após a alta do bacalhau, a espécie está sendo mais procurada pelos consumidores. Um exemplo é a aposentada Ieda Tardelli, 76. “Eu compro outros tipos de peixe, não o bacalhau. Está muito caro. Normalmente, faço com batata, coloco uma pimenta e tempero para dar sabor, fica uma bacalhoada falsa”, conta. “Faz um bom tempo que opto por outras espécies. A cada ano o bacalhau fica mais caro, sem condições.”
O mesmo acontece na família da aposentada Inês Oliveira Santos, 65. Com filé de merluza e outros tipos mais em conta, ela faz um prato diferente toda Semana Santa. “Às vezes é desfiado, grelhado, depende do ano. É uma forma que encontramos de economizar e comer peixe nesta época”, comenta.
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