Press Enter and then Control plus Dot for Audio
Sorocaba, Domingo, 6 de Abril de 2025

Buscar no Cruzeiro

Buscar

Amanhã

‘Encontros Culturais’ visita Belchior nesta 5ª feira no Gabinete

Compositor, cantor e poeta terá sua obra, vida e carreira enfocadas no encontro de amanhã

01 de Abril de 2025 às 23:10
Paixão, conflitos e referências literárias estão entre os temas das composições de Belchior
Paixão, conflitos e referências literárias estão entre os temas das composições de Belchior (Crédito: REPRODUÇÃO)

O Gabinete de Leitura Sorocabano promove nesta quinta-feira (3), mais uma edição do seu projeto “Encontros Culturais”, desta vez enfocando o compositor e cantor Belchior, apresentando aspectos de sua vida e obra, das 14h às 16h, com participação aberta a todos os interessados.

Coordenado pelo pesquisador José Rubens Incao, projeto se desenvolve por meio de um bate papo e apresentação de imagens e músicas, destacando temas ligados à Literatura, Artes, Música e Mitologia.

De acordo com Incao, “é impressionante a atualidade das composições de Belchior, cuja obra é permeada de temas ligados à paixão, descobertas, conflitos e referências literárias e musicais. Mesmo compondo nos anos de 1970, suas letras e músicas transcendem o tempo, pontuando temas contundentes e líricos, com alta qualidade poética”.

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, nacionalmente conhecido como Belchior (1946-2017), foi cantor, poeta, compositor, músico, produtor e artista plástico.

Um dos membros do chamado Pessoal do Ceará, que incluía Fagner, Ednardo e Amelinha, entre outros, Belchior foi um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso internacional, em meados da década de 1970. Durante uma entrevista, ao declarar o seu nome completo, o compositor acrescentou, em tom de brincadeira, que seria o “maior nome da MPB”.

Seu álbum Alucinação, de 1976, é considerado por muitos críticos musicais como um dos mais revolucionários da história da MPB e um dos mais importantes de todos os tempos para a música brasileira. Entre os seus maiores sucessos estão “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “Como Nossos Pais”, “Mucuripe” e “Divina Comédia Humana”.

Carreira

Durante sua infância, o músico foi cantador de feira e poeta repentista e estudou música, canto para coral e piano. Ainda criança, recebeu influência dos cantores do rádio Ângela Maria, Cauby Peixoto e Nora Ney. Foi programador de rádio em Sobral (CE), sua terra natal.

Depois de completar seus estudos secundários no Colégio Sobralense, Belchior vivenciou um período de disciplina religiosa, quando estudou latim, italiano e canto gregoriano. Em seguida, regressou a Fortaleza, onde estudou Medicina, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística.

Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos como Fagner, Ednardo, Amelinha, Jorge Mello, Rodger Rogério, Teti e Cirino. O grupo ficou conhecido como o “Pessoal do Cearᔑ.

De 1967 a 1970 apresentou-se em festivais de música no Nordeste. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o 4º Festival Universitário da MPB, com a canção “Na Hora do Almoço”, com a qual estreou como cantor em disco compacto.

Em São Paulo, para onde se mudou em 1972, compôs canções para alguns filmes de curta metragem, continuando a trabalhar individualmente e às vezes em grupo. Em 1972, Elis Regina gravou sua composição “Mucuripe”, juntamente com Fagner. Gravou seu primeiro LP em 1974.

Sucessos

O seu segundo álbum, Alucinação, de 1976, consolidou sua carreira, gravando canções de sucesso como “Velha Roupa Colorida” e “Como Nossos Pais”, que haviam sido lançadas por Elis Regina, em 1975, em seu espetáculo “Falso Brilhante” (dirigido pelo diretor sorocabano Ademar Guerra) e “Apenas um Rapaz Latino-Americano”. Alucinação vendeu 30 mil cópias em apenas um mês. Outros êxitos incluem “Paralelas”, lançada por Vanusa, e “Galos, Noites e Quintais”, regravada por Jair Rodrigues.

Em 2012, Belchior apareceu na posição 58 da lista “As 100 Maiores Vozes da Música Brasileira” na revista Rolling Stone Brasil e na posição 100 da lista de “Os 100 Maiores Artistas da Música Brasileira”, também na Rolling Stone Brasil.

Suas composições retratam as angústias dos jovens frente às diferentes realidades (grandes cidades, família, paixões) que enfrentam e os sonhos e amores que traz consigo, em linguagem plena de recortes e referências literárias e musicais, mantendo uma coerência e atualidade que faz de Belchior um dos compositores da MPB mais gravado e revisitado pelas novas gerações de intérpretes e músico.

O cantor, compositor e poeta faleceu aos 70 anos em 30 de abril de 2017, na cidade gaúcha de Santa Cruz do Sul. (Da Redação)